51 mil mortes po ano seriam evitadas no Brasil com a prática de qualquer atividade física

51 mil mortes por ano são atribuíveis à inatividade física no Brasil, segundo estudo realizado no Departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina da USP em parceria com a Universidade de Harvard e o Centro de Estudos do Laboratório de Aptidão Física de São Caetano do Sul (CELAFISCS).

O estudo foi publicado noJournal of Physical Activity and Health>, além de receber premiação durante o IX Congresso Brasileiro de Atividade Física e Saúde (Curitiba, 13-16 Novembro 2013)

Em 2008, a última Pesquisa Nacional por Amostras de Domicílio (PNAD 2008) que avaliou a prática de atividade física em âmbito nacional, constatou que 20% dos indivíduos com mais de 15 anos não realizam qualquer atividade física durante a sua rotina. A inatividade é mais acentuada entre homens, pessoas com maior escolaridade e residentes em área urbana. Das regiões do país, o Sudeste é o mais acometido pela inatividade física, seguido do Centro-Oeste, Sul, Norte e Nordeste.

Mortes e Doenças

A pesquisa mostrou que no Brasil, se a população realizasse alguma atividade física, tanto no tempo de lazer, em casa, no transporte ou no trabalho, mais de 51 mil mortes seriam evitadas por ano. Lembrando que atividade física pode ser qualquer movimento que aumente o gasto de energia como limpar a casa, cuidar do jardim, passear com o cachorro, praticar esportes, etc.

O documento diz ainda que 5.150 casos de hospitalização por diabetes e 6.417 de doenças coronarianas poderiam ser evitados se a população realizasse alguma atividade física. Além disso, 2.559 novos casos de câncer de mama e 1.590 casos de câncer de cólon deixariam de ocorrer.

Em outro estudo global foi constatado que os benefícios seriam ainda maior se houvesse o cumprimento de pelo menos 30 minutos diários de atividade física. Segundo a publicação da pesquisadora I-Min Lee, da Universidade de Harvard, 5,3 milhões de mortes seriam evitadas no mundo todo. No Brasil, esse número seria de 133.425 mortes, se todos cumprissem a recomendação mínima diária de atividade física (pelo menos 30 minutos de atividade física).

É importante ressaltar que a prática de atividade física envolve fatores pessoais como disponibilidade de tempo, preferências e estilo de vida, e fatores sociais e ambientais como apoio de amigos/familiares e parques/clubes. Os pesquisadores sugerem ainda que são necessárias políticas que incentivem essa prática através da ação integrada de diversos setores, principalmente nas áreas de saúde, educação, esporte, meio ambiente, segurança, transporte e comunicação social. E ainda que é importante garantir a participação da sociedade na definição dessas políticas.

Referências

Rezende LF, Rabacow FM, Viscondi JY, Luiz OC, Matsudo VK, Lee IM. Effect of physical inactivity on major noncommunicable diseases and life expectancy in Brazil. J Phys Act Health.2015;12(3):299-306. doi: 10.1123/jpah.2013-0241

Lee IM, Shiroma EJ, Lobelo F, Puska P, Blair SN, Katzmarzyk PT; Lancet Physical Activity Series Working Group. Effect of physical inactivity on major non-communicable diseases worldwide: an analysis of burden of disease and life expectancy. Lancet. 2012;380(9838):219-29. doi: 10.1016/S0140-6736(12)61031-9.

Comentários (0)

Deixe um comentário

Você está comentando como visitante.