CELAFISCS Manifesto +10

13 Chamadas para a Promoção da Atividade Física e Saúde Pública.

Em 2020, diante da pandemia de COVID-19 e de seus profundos impactos sobre a vida cotidiana, o Centro de Estudos do Laboratório de Aptidão Física de São Caetano do Sul (CELAFISCS) lançou o “Manifesto Internacional para a Promoção da Atividade Física no Pós-COVID-19” com uma chamada coletiva à ação. Suas recomendações reafirmaram a importância do movimento para a saúde e destacaram a necessidade de ampliar oportunidades para uma vida ativa, reduzir o comportamento sedentário e as desigualdades, e articular pessoas, comunidades e instituições, visando o desenvolvimento de políticas públicas nessa área.

Seis anos depois, muitos desses princípios permanecem atuais. Ao mesmo tempo, novas evidências científicas e transformações sociais, ambientais e tecnológicas ampliaram os desafios e as possibilidades para a promoção da atividade física e a redução do comportamento sedentário. Cada minuto conta: estudos recentes mostram que até breves momentos de atividade física vigorosa incorporados à vida cotidiana podem estar associados a benefícios importantes para a saúde. O avanço das tecnologias digitais e da inteligência artificial, a crescente atenção às diferentes trajetórias de vida, à equidade, à participação social, à governança e aos impactos das mudanças climáticas convidam a revisitar e atualizar aquela chamada.

O “CELAFISCS Manifesto+10” nasce dessa continuidade e dessa transformação. Mais do que atualizar o Manifesto de 2020, busca fortalecer seus princípios e ampliar seu alcance, articulando conhecimentos, pessoas, ambientes e políticas para criar condições e oportunidades que favoreçam uma vida fisicamente ativa.

Apresentamos, assim, 13 Chamadas para a Açãodirigidas a pessoas, profissionais, comunidades, instituições e governos. Elas partem de uma ideia simples e fundamental: todo movimento conta, se realizado por opção. Ao mesmo tempo, as oportunidades para se movimentar não dependem apenas das escolhas individuais: elas também devem ser oportunizadas e construídas coletivamente.

O Manifesto não terminou em 2020

A apresentação pública abriu um processo de disseminação, adesão, diálogo e produção de novos conteúdos.

2020
Lançamento do Manifesto Original

> Veja todas as informações do lançamento.

+600
Adesões de pessoas e organizações.

Formatos
Boletins, Seminários, PodCasts, E-Book.

2026
Continuidade – Novo ciclo para atualizar e ampliar.

Por que revisitar o Manifesto seis anos depois?

Muitos princípios permanecem. O contexto, porém, se ampliou.

  • Novas evidências mostrando que até breves momentos de atividade física podem trazer benefícios.
  • A transformação digital e inteligência artificial criam novas possibilidades.
  • Diferentes etapas da vida, barreiras e oportunidades precisam ser consideradas.
  • A promoção da atividade física exige articulação entre pessoas, comunidades e instituições.
  • As condições ambientais também moldam as possibilidades de movimento.

O Manifesto +10 busca fortalecer seus princípios e ampliar seu alcance.

São 13 chamadas que percorrem escolhas, oportunidades, ambiente, conhecimento, políticas e responsabilidade coletiva.

Um manifesto só ganha sentido quando suas ideias se transformam em ação. As 13 Chamadas aqui apresentadas não constituem um ponto de chegada, mas um convite para que pessoas, profissionais, comunidades, instituições, empresas e governos reconheçam seu papel na construção de uma sociedade mais ativa.

Criar oportunidades para o movimento exige, além de conhecimento e escolhas individuais, políticas públicas intersetoriais que envolvam educação, ambientes favoráveis, inclusão, participação social, inovação, políticas integradas e compromisso coletivo. Diferentes realidades exigirão diferentes caminhos, mas todas podem contribuir para tornar o movimento mais presente na vida cotidiana.

Os desafios dos próximos anos serão diferentes daqueles que deram origem ao Manifesto de 2020, e novos certamente surgirão. Por isso, promover atividade física e reduzir o comportamento sedentário exigem capacidade permanente de aprender, adaptar, cooperar e agir. É hora de uma enorme força-tarefa, uma chamada à ação, para reduzirmos a distância entre a força das evidências científicas que demonstram, com robustez, a importância da atividade física para a saúde, e sua efetiva implementação em todos os cenários, das intervenções individuais às políticas públicas.

Cada minuto conta.
Todo passo conta.
Todo movimento conta.

Qualquer atividade física que você faz é um presente que dá a si mesmo. Sem esse presente, não há futuro.

capa do livro manifesto

1

Mover-se mais, sentar-se menos! Toda oportunidade de movimento, especialmente quando realizada por opção, pode contribuir para a saúde. Procure acumular atividade física ao longo da semana, buscando alcançar as recomendações de pelo menos 150 minutos de atividade moderada ou 75 minutos de atividade vigorosa por semana, mas lembre-se de que benefícios podem ocorrer mesmo abaixo desses valores. Reduza o tempo sentado e, sempre que possível, substitua-o por movimento, inclusive de intensidade leve. Todo passo conta, de preferência com prazer e não por obrigação.

mover-se mais, sentar-se menos

2

Praticar atividade física moderada regularmente para favorecer o funcionamento do sistema imunológico. A prática regular de atividade física moderada contribui para o funcionamento e a regulação do sistema imunológico ao longo da vida. Diferentes intensidades de atividade física podem trazer benefícios à saúde, devendo a prática ser adequada às condições, capacidades e objetivos de cada pessoa.

capa do livro manifesto

3

Transformar a escola em um ambiente promotor da atividade física e de redução do comportamento sedentário. Ampliar estímulos e oportunidades para que crianças e adolescentes se movimentem ao longo do dia escolar, reconhecendo a atividade física como direito e parte essencial da educação. Escolas mais ativas podem contribuir para a saúde, a aprendizagem, o desenvolvimento e o bem-estar dos estudantes.

capa do livro manifesto

4

Criar oportunidades para que todas as pessoas sejam fisicamente ativas ao longo da vida. As possibilidades de movimento mudam com as condições de vida, os interesses e as diferentes etapas e transições da trajetória de cada pessoa. Oferecer experiências diversificadas e adequadas a esses diferentes momentos pode favorecer a descoberta, a continuidade ou a retomada de uma vida mais ativa.

capa do livro manifesto

5

Promover a mobilidade ativa e a atividade física no lazer como direitos e oportunidades para uma vida mais saudável. Criar condições para caminhar, pedalar, praticar esportes, jogos e outras atividades físicas nos espaços públicos amplia as possibilidades de movimento no cotidiano. Ambientes seguros, acessíveis e adequados favorecem a mobilidade ativa e a atividade física no lazer, contribuindo para a saúde, a qualidade de vida e o bem-estar.

capa do livro manifesto

6

Incorporar tecnologias digitais e inteligência artificial às estratégias de promoção da atividade física, ampliando o acesso, a personalização e o apoio à mudança de comportamento. A transformação digital acelerada pela pandemia deve agora ser convertida em ação. Plataformas digitais, telessaúde e agentes motivacionais podem aproximar pessoas, profissionais e serviços, reduzindo desigualdades e contribuindo, de forma ética e baseada em evidências, para sociedades mais ativas e saudáveis.

capa do livro manifesto

7

Promover atividade física com equidade, inclusão e proteção. Reconhecer e reduzir barreiras sociais, econômicas, culturais, ambientais e de acessibilidade que limitam o movimento e a participação, especialmente entre grupos em situação de vulnerabilidade. Garantir oportunidades adequadas às diferentes necessidades e realidades, incorporando princípios de safeguarding, em ambientes seguros, respeitosos e livres de violência, abuso, assédio e discriminação, para que todas as pessoas possam usufruir dos benefícios de uma vida fisicamente ativa.

capa do livro manifesto

8

Transformar conhecimento em ação, conectando evidências globais às necessidades locais. Fortalecer a capacidade dos profissionais de saúde, especialmente os de Educação Física, de traduzir, adaptar e aplicar o conhecimento científico às diferentes realidades aproxima as evidências da prática e qualifica as ações de promoção da atividade física.

capa do livro manifesto

9

Construir políticas públicas e ações comunitárias com participação social. Envolver atores locais e comunidades no planejamento, implementação, monitoramento e avaliação de iniciativas de promoção da atividade física permite considerar as necessidades, características e potencialidades de cada território.

capa do livro manifesto

10

Fortalecer o ecossistema de promoção da atividade física por meio de uma governança colaborativa, transversal e inovadora. Coordenar atores, recursos, conhecimentos e estratégias amplia a capacidade de planejar, sustentar e aprimorar ações de promoção da atividade física diante dos desafios do presente e do futuro.

capa do livro manifesto

11

Integrar políticas públicas por meio de ações intersetoriais que criem condições para uma vida ativa. Articular saúde, educação, esporte, mobilidade e urbanismo, entre outras áreas, amplia as possibilidades de incorporar o movimento ao cotidiano das pessoas e permite que diferentes setores contribuam de forma eficiente e efetiva para a promoção da atividade física.

capa do livro manifesto

12

Considerar os domínios, as circunstâncias da prática e as mudanças climáticas nas estratégias de promoção da atividade física. Reconhecer onde a atividade física acontece — no lazer, no trabalho, no deslocamento ou no ambiente doméstico —, em que condições é realizada, inclusive por escolha ou necessidade, e como as mudanças climáticas afetam essas práticas permite compreender melhor seus diferentes contextos e impactos. Essas diferenças podem ampliar ou limitar as oportunidades de movimento e devem ser consideradas para promover atividade física de forma mais saudável, sustentável, social e ambientalmente justa.

capa do livro manifesto

13

Reconhecer a atividade física como um direito e uma responsabilidade coletiva. Uma vida fisicamente ativa não depende apenas das escolhas individuais, mas também das condições sociais, econômicas, culturais e ambientais que ampliam ou limitam as oportunidades de movimento. Pessoas, comunidades, instituições, organizações e governos compartilham a responsabilidade de criar condições para que todos possam se movimentar com segurança, autonomia e prazer.

ELABORAÇÃO COLETIVA

Ana Miragaya

GPEO-UERJ
e-Museu do Esporte

Antonio Carlos Bramante

Professor da UNICAMP (Aposentado)
Coordenador do Laboratório de Gestão das Experiências de Lazer
LAGEL/GESPORTE/FEF-UnB

Beatriz Ferreira

Grupo de pesquisa NGIME-UFJF
Vice Presidente IAPESGW

Bruno Gualano

Professor na Faculdade de Medicina da USP

Dartagnan Pinto guedes

Professor na Faculdade de Educação Física da Universidade Estadual de Londrina

Douglas Roque Andrade

GEPAF / EACH / USP / CEPEDOC

Francisco Pitanga

Professor na Faculdade de Educação Física da Universidade Federal da Bahia

Laércio Elias Pereira

Coordenador do Centro Esportivo Virtual (CEV)

Lamartine Pereira da Costa

Universidade do Estado do Rio de Janeiro-UERJ
Programa de Pós Graduação em Ciências do Exercício e do Esporte

Luís Carlos de Oliveira

CELAFISCS
Programa Agita São Paulo

Luiz Guilherme Grossi Porto

Grupo de Estudos em Fisiologia e Epidemiologia do Exercício e da Atividade Física – GEAFS
FEF / UnB

Victor Keihan Rodrigues Matsudo

CELAFISCS
Programa Agita São Paulo

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